Fabiano Caxito acredita que as oportunidades estão em nichos como, alimentação fora do lar e comércio de bairro - Foto: Agência Sebrae.

Consumo deve ter retração de até 5% em 2016, diz especialista

24/02/2016 às 17:00
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Cleonildo Mello

Natal – A economia brasileira tende a registrar neste ano os mesmos níveis de retração verificados em 2015 devido à desconfiança do mercado em relação à situação política do país. A opinião é do professor da Universidade de São Paulo (USP) Fabiano Caxito, que atua nas áreas de gestão comercial, varejo e economia. Segundo o especialista, a retração do consumo deve atingir níveis entre 3% e 5%, com a retração do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma dos consumos do governo, pessoas e empresas.

De acordo com Fabiano Caxito, esse cenário econômico, inevitavelmente, levará a aumentos do índice de desemprego – que, na visão dele, vai girar em torno de 9,5% -, redução na renda e poder de compra, aumento da inflação e queda da confiança. Esses quatro pilares abalados sugerem a propensão dos consumidores a consumir menos. Para as empresas, a consequência direta disso é a queda no rendimento. “Se o faturamento cai e a inflação aumenta, a lucratividade das empresas vai ser menor”, diz.

Ele também acredita que, de todos esses fatores, o mais negativo é o desemprego. Isso porque as empresas reduzem o número de funcionários e os que ficam acabam mantendo a produtividade. Mesmo que a situação econômica melhores, as empresas demorariam em média dois anos para voltar a recontratar. "Imagine quase 10% da população desempregada por dois anos!".

O especialista veio à capital potiguar ministrar a palestra ‘O Mercado de Consumo e as Oportunidades para 2016’, nesta terça-feira (23), a convite do Sebrae no Rio Grande do Norte, Federação das Associações Comerciais do RN (Facern) e Federação do Comércio Varejista do Estado (Fecomercio-RN). Além de atuar como consultor em empresas, como Ambev e Casas Bahia, ele é autor do livro ‘Não Deixo a Vida me Levar, a Vida Levo Eu!’ (Ed. Saraiva, 2009) e coautor do ‘Manual do Varejo Brasileiro’ (Ed. Saint Paulo, 2013).

A ideia da iniciativa foi apresentar aos empresários potiguares alternativas para driblar a crise e apontar as principais tendências e oportunidades de negócios ao longo do ano. Realizada no auditório do Sebrae, em Natal,  a palestra foi transmitida simultaneamente para empreendedores do interior nas cidades de Assu, Caicó, Nova Cruz e Pau dos Ferros, presentes nos escritórios regionais.

Fabiano Caxito recomenda que os empresários passem a pensar em estratégias de curto e longo prazos para minimizar os possíveis efeitos da retração do consumo. Podem ser desde medidas simples de gestão até mais complexas com a compreensão das tendências do mercado. “Não existe mágica, existe trabalho”, resume.

Soluções

É possível na área de redução de custos, por exemplo, a renegociar valor do aluguel e de contratos e com fornecedores. “O empresário precisa rever se a estrutura que tem realmente é a de que precisa. Lançar um olhar sobre os estoques e verificar se são saudáveis e os produtos que realmente giram”.

Para o professor, outra estratégia é ter uma atenção especial para com os clientes, avaliando a carteira, se como é possível recuperar clientela antiga e os serviços agregados que os clientes buscam no negócio capaz de fidelizá-los. “O empresário precisa entender o que realmente o cliente busca no seu estabelecimento”.

As ações de longo prazo passam por visão e planejamento. Na avaliação do especialista, o empreendedor precisa se questionar que tipo de negócio vai sobreviver no futuro. Atualmente, a tecnologia tem revolucionado o que as empresas fazem e suas relações com os consumidores. “Precisamos entender que o consumidor brasileiro está mudando. As pessoas estão envelhecendo e tendo menos filhos. Isso afeta diretamente o consumo, ou o redefine”.

Outro ponto é o aumento da participação das mulheres no mercado formal. Atualmente, elas já representam 42% da população economicamente ativa do Brasil. “As mulheres criam mais relações com as empresas que os homens. É importante estar atento a isso e saber o que fazer para agregar valor ao negócio”.

Tendências

Fabiano Caxito aponta alguns setores que devem registrar crescimento no ano mesmo em meio à conjuntura atual. No segmento de serviço, um dos setores cuja demanda deve ser ampliada é o de empresas especializadas em serviços domésticos por facilitar a manutenção dos lares. O mesmo acontece com os serviços de alimentação fora do lar.

“Há um crescimento de famílias em que os cônjuges trabalham fora e não têm tempo a perder com afazeres domésticos. Somado a isso, o custo de manter um trabalhador doméstico ficou muito alto em função dos encargos. Então, tudo que facilitar a vida desse perfil de casal terá demanda”. O mesmo ocorre com os negócios de economia compartilhada, como as caronas amigas e o Uber. “As pessoas estão cada vez mais buscando formas de gastar menos e aproveitar melhor os seus recursos”.

Há ainda perspectiva de crescimento no comércio varejista. Segundo o especialista, nos últimos dez anos, com o inchaço das cidades, o comércio de bairro tem se fortalecido. “Em cidades, como Natal, em que o trânsito está cada vez mais complicado e os índices de violência crescentes, vemos um renascimento do comércio nos bairros. Os empresários precisam visualizar oportunidades nesse tipo de estabelecimento”, recomenda.

Para ter sucesso, no entanto, é necessário rever buscar agregar serviço ao negócio. Um açougue pode virar uma boutique de carnes com cortes nobres e uma conveniência um empório com um tipo de vinho mais selecionado. “O lance é encontrar nicho de clientes e perceber o que eles querem”.



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